Na Areia

Tudo sobre as praias de Salvador – Blog do 6º semestre de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia para a disciplina Jornalismo Online

Um dia na areia

Por Joana Rizério

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Foto: Joana Rizério

A menina leva canga, água, pente, creme, barrinha de cereal e protetor solar número 50. O rapaz, nada além da sunga no corpo e de uma bola de futebol.

Um outro carrega, além da sunga, um potinho à prova d’água – pendurado no pescoço qual um amuleto – com o dinheiro justo da cerveja e do buzú da volta. Ele entra no time do cara da bola, que já está na roda com outros três, prontos para mais uma partida de salão na beira do mar.

A menina encontra as amigas e, juntas, estendem as cangas lado a lado, formando um tapetão emendado que promete protegê-las de qualquer contato com a areia.

Mas quem tá na areia é pra se sujar, que nem em propaganda de sabão em pó. Se você não for atingido nos olhos pelos grãos numa rajada de vento, provavelmente vai sofrer com os ambulantes, que andam espalhando areia sobre os banhistas à medida que se aproximam para vender.

Tem gente que toma esse banho quando algum vizinho de praia tem a brilhante ideia de sacodir a toalha. Se, finalmente, você conseguir passar por essas etapas limpinho, pode apostar que o Neymar da praia citado acima vai se encarregar de te sapecar de areia quando chutar a bola.

Quando pensar que encontrou sossego, alguma mocinha vai te pedir pra olhar as “coisas” dela. “Moço, olhe aqui minhas coisas enquanto eu tomo banho. É rapidinho!” A gente pode até estar perto de ir embora, mas não diz não. Recusar um pedido desses é coisa que baiano nenhum faz. A cartilha de cordialidade baianística condena. Um pedido pra olhar as coisas é como um voto de confiança. “Você tem a cara boa, vou deixar minhas coisas com você”. Dá quase orgulho.

A mocinha vai e volta de seu banho, coleta seus pertences intactos e sai de perto sorrindo. Mas aí a fumaça do churrasquinho sopra na sua direção, ou o cara do camarão levanta areia enquanto passa, e é hora de se lavar.

Ora, não foi você quem escolheu a hora do banho, mas não é também o fim do mundo. Afinal, tá todo mundo de biquíni, é verão, sei lá… É só dar uma chegadinha no mar, nas águas quentinhas que banham a Baía de Todos os Santos, baía amena e tão linda que faz carioca morrer de inveja quando foge das águas geladas de Copacabana pra peruar por nossas áreas.

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Foto: Joana Rizério

Um mergulho, uma braçada, e a mão vai em cheio num copo descartável. Mais uma nadada, de olho fechado, e quase que um espeto de queijinho acerta o rosto. Sacolas plásticas passam pelas pernas da gente travestidas de águas-vivas. Pacotes de biscoito, cascas de coco, canudos, preservativos e latas te fazem pensar na falta que faz uma cartilha da cordialidade contra a sujeira. E te expulsam do mar, enfim. Eca.

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Publicado em 4 de dezembro de 2012 por em Uncategorized.
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