Na Areia

Tudo sobre as praias de Salvador – Blog do 6º semestre de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia para a disciplina Jornalismo Online

Catimbau: 58 anos de pescada

Por Amanda Santana, Giuliana Mancini e Lorena Orsi

Em uma manhã nublada, ao lado da Casa de Yemanjá, no Rio Vermelho, o senhor Silvano Neves de Jesus descascava peixes. Mais conhecido como Catimbau, o pescador, de 70 anos, tem feição serena, e isso se confirma por meio de sua fala mansa e baixa. Os olhos, escondidos atrás de óculos garrafais de armação preta, são um pouco enrugados, resultado de anos de pescaria intensa.

Catimbau tem 70 anos e pesca desde os 12
Foto: Lorena Orsi

Suas roupas são simples: ele vestia blusa verde-água, combinando com o mar, aliada a uma bermuda branca abaixo do joelho, boné também branco e sandálias de plástico. Pescador há 58 anos, desde os 12, o morador da Boca do Rio acorda às 4 horas da manhã, para iniciar a procura por peixes, tanto para comer quanto para vender. Seu barco navega pelas águas do Jardim de Aláh, que, segundo Silvano, são abençoadas pela mãe Yemanjá.

Munido de anzol e rede, Silvano torce, todas as manhãs, para seus dias serem sempre ‘de verão’. “Temporal é muito ruim para pescar. Os peixes se escondem, o mar fica perigoso e quase nunca o dinheiro é satisfatório. Sem contar que há dias em que não consigo pescar nada. O verão é, sem dúvidas, a melhor época do ano”, explica. Seu barco é listrado de azul e branco, em homenagem a Yemanjá, e fica ancorado, normalmente, no Jardim dos Namorados.

Seus longos dias somente acabam na manhã seguinte, quando volta para a terra. Ele dorme no barco, juntamente com mais seis companheiros de pesca, considerados como seus “irmãos“.  Como todos já são amigos de décadas, não há disputa no trabalho. Quando terminam sua procura, eles juntam os peixes e dividem entre eles igualmente, para que todos tenham lucro semelhante.

O pescador segue a lei da oferta e da procura. Quando consegue pescar muito, os peixes valem um pouco menos, dando para o trabalhador maior lucro. Já quando os pescados somem, Catimbau é obrigado a vender mais caro, senão ele não terá renda suficiente. O valor do peixe de porte mediano é R$ 10 quando em abundância. Já escasso, varia de R$ 15 até R$ 20. Sendo assim, a média de lucro por mês é de R$ 600 para cada um.

A venda concentra-se em Itapuã, para peixarias em geral. Ele também comercializa na Casa de Yemanjá, local onde fica a Associação de Pescadores, da qual Silvano é sócio.

De filhos, são nove, mas nenhum pescador. “Quis outra vida para eles, a de pesca é muito dura”, conta, satisfeito com a escolha da família. Uns viraram comerciantes e outros ainda estudam. Alguns já deram a alegria de netos para Catimbau, que são, ao todo, quatro.

Para ver a galeria de fotos de Catimbau, clique aqui. Já para ver o vídeo do pescador, clique aqui e selecione o botão “ativar legenda” na parte inferior do vídeo.

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Publicado às 19 de novembro de 2012 por em Uncategorized e marcado , , , .
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