Na Areia

Tudo sobre as praias de Salvador – Blog do 6º semestre de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia para a disciplina Jornalismo Online

Águas calmas fazem de S. Tomé uma das favoritas do Subúrbio

Por Eduardo Francisco

Desconhecido por boa parte dos moradores de Salvador e dos turistas que frequentam a cidade, o Subúrbio Ferroviário de Salvador guarda belas paisagens marinhas. Uma das praias mais populares de lá é São Tomé de Paripe.

Caminhando pela calçada, observamos um ambiente bem diverso: jovens jogando vôlei e frescobol, crianças se divertindo nas águas tranquilas, pessoas sentadas em mesinhas enquanto conversam ou tomam alguma coisa, próximas a tendas de comerciantes, como a de Simone Pereira, 40, que trabalha na praia de São Tomé há aproximadamente 10 anos. Ela reclama que ultimamente o movimento não está muito bom. Diz que o último dia em que São Tomé recebeu bastante gente foi no feriado de 7 de setembro.

“As pessoas reclamam de não ter banheiros e chuveiro, isso acaba gerando um prejuízo para os comerciantes”, afirma Simone, que sempre monta sua barraca aos finais de semana e diz ainda não ter conseguido quitar o pagamento da estrutura, devido ao fraco movimento dos últimos dias.

Ela não se mostra muito otimista com as promessas da prefeitura de montar quiosques, feitas há mais ou menos dois anos, quando foram demolidas as barracas das praias: “não tem espaço para montar quiosques para todos. Há uma quantidade muito grande de comerciantes e pouco espaço. Os vendedores iriam brigar para tentar conseguir um quiosque”, conclui a comerciante.

Simone e sua barraca/ Fotos: Eduardo Francisco

Até Lula provou

A visão de Simone é compartilhada por Rosângela Dias, 57, que vende croquetes em frente a um dos estacionamentos da praia. De acordo com ela, muitos vendedores encontraram uma solução alugando imóveis comerciais que ficam na orla da praia, porém, ressalta que nem todos os comerciantes possuem renda o suficiente para pagar o aluguel.

Mesmo assim, isso não tira o humor de Rosângela, que é natural do Rio de Janeiro, veio para Salvador há 34 anos e trabalha em São Tomé há oito. Ela afirma ter percebido um aumento no número de visitantes, inclusive de turistas: “essa praia só não é mais famosa que meus croquetes de aipim, que até Lula já comeu”, afirma, às risadas, a comerciante.

Ela relata o episódio em que, em uma das estadias do ex-presidente na praia de Inema, dentro da Base Naval de Aratu, recebeu alguns de seus seguranças que foram, com uma vasilha em mãos, comprar vários croquetes para ele.

Rosângela preparando seus croquetes

Som alto incomoda

Quando perguntada se a praia era tranquila, Rosângela afirma que é bastante. Mas, às vezes, alguns frequentadores põem o som alto: “de vez em quando chegam uns ousados no final da tarde e colocam o carro fazendo zoada. Aquela tenda azul”, diz apontando, “é conhecida como barraca da muvuca”.

E o som alto dos carros de alguns frequentadores realmente é um incômodo para os moradores, como Sergia Santos, 50, que se mudou do Cabula, onde possui um comércio, para São Tomé há seis anos. Nos finais de semana, quando o movimento na praia aumenta, a paz termina: “eles fazem muito barulho, bloqueiam a garagem com carros e muitos ainda urinam nos muros. Há dois anos atrás a fiscalização da Sucom era mais rigorosa mas, de uns tempos para cá, eu não vejo mais fiscais”, relata Sergia. “Mas, ainda assim, nunca morei num lugar como aqui. Só os mal-educados atrapalham, a vizinhança é tranquila”.

Sergia afirma que o lugar é ótimo para morar, possui policiamento e não tem marginalidade, embora ela ressalte que às vezes acontecem brigas entre gangues rivais, por causa de drogas, nos arredores. Seu sobrinho, o estudante Tiago Medrado, 25, também é morador de São Tomé e concorda com a tia, destacando apenas a questão da distância para o centro da cidade como um aspecto negativo de morar no local.

Sergia e seu sobrinho Tiago, moradores de São Tomé

Quem conhece fica

“Não tenho pretensão nenhuma de ir embora de Salvador”, é assim que a auxiliar administrativa paranaense Delsa Maria dos Santos, 43, revela o seu amor pela cidade. Ela mora em Paripe há 10 meses, desde quando recebeu o convite de uma amiga soteropolitana para conhecer a capital baiana. Conta que sua praia favorita é São Tomé.

Embora goste de Itapuã, Delsa não frequenta muito por causa da distância de casa. Já outras praias da orla de Salvador, como a Barra, ela acha muito elitizadas. Porém, diz não frequentar muito a praia de Tubarão, vizinha a São Tomé: “as pessoas bagunçam e sujam demais a praia. São Tomé possui um ambiente muito gostoso para caminhar com os pés na água, sentar à beira da praia, refletir”, conta a paranaense.

São Tomé é a praia favorita da paranaense Delsa

Assim é São Tomé, uma praia em que pessoas como a administradora Priscila Gomes, 27, moradora de Simões Filho, que frequenta o local desde pequena, passeia com a família. Acompanhada pela mãe e pelo namorado, Gilson Nere, 41, frequentador assíduo da orla de Salvador e que nunca tinha ido a São Tomé, ela conta o motivo de sua preferência: “aqui é tranquilo, a gente fica à vontade. As crianças também podem brincar. O único problema é o transporte, mas sempre que posso eu venho aqui”, relata Priscila.

Priscila (ao centro) acompanhada da família. Ela frequenta a praia desde pequena

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Publicado em 19 de novembro de 2012 por em Uncategorized.
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