Na Areia

Tudo sobre as praias de Salvador – Blog do 6º semestre de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia para a disciplina Jornalismo Online

Aeroclube espera mudança da maré

Fundo do shopping, que sofre com a ação do salitre. Fotos: Wanderley Teixeira

Por Wanderley Teixeira

Para quem viveu a adolescência no início dos anos 2000  em Salvador, o Aeroclube inspira muitas recordações. Os shows no Rock in Rio Café, as sessões de cinema no UCI Aeroclube, as disputas no Boliche Aeroclube e no Magic Games, o burburinho no Café Cancun… Quem passa pelo atual Aeroclube Shopping Office, novo nome do empreendimento, inevitavelmente lamenta que o espaço não represente hoje para a cidade o que o Aeroclube Plaza Show um dia representou.

A professora Fernanda Rocha, 43, é uma dessas frequentadoras antigas do shopping. Ela traz boas recordações da época em que sua filha Bruna era criança e passava as tardes brincando com as primas nas dependências do empreendimento a beira mar:

Entrevista Fernanda Rocha (clique aqui e ouça o podcast)

Já Osvaldo Santana, 30, administrador de empresas, tenta encontrar uma explicação para a atual situação do Aeroclube:

Entrevista Osvaldo Santana (clique aqui e ouça o podcast)

No entanto, a questão parece ser um pouco mais complexa. Com uma área de 28 mil metros quadrados, atualmente o shopping funciona com 30 estabelecimentos comerciais, abrangendo o famoso corredor que leva ao UCI Aeroclube, ainda em atividade, as lojas da fachada em frente ao estacionamento e a Lojas Americanas, localizada à direita do shopping.

Corredor que leva ao cinema, ainda em atividade

O “miolo” do empreendimento está desativado em função do projeto de revitalização do espaço.  O empreendimento acaba de sair vencedor de uma disputa judicial pela utilização da área com representações do bairro da Boca do Rio, um conflito iniciado em 2008 e que só terminou em 2011, com a autorização de retomada das obras. Porém, como os responsáveis pelo empreendimento ainda discutem questões de cunho técnico e burocrático com a Prefeitura, essa área da reforma continua “intocável” até segunda ordem (leia mais aqui).

 Queda na frequência

Segundo Mara Rocha, assessora do empreendimento, os lojistas foram os mais prejudicados com informações que circularam na grande imprensa sobre o embargo já que a maioria das matérias davam a entender que todo o Aeroclube estava fechado. “Durante todo o período em que as obras tiveram embargadas, as lojas continuaram funcionando. O que o shopping não poderia fazer era tirar ou colocar nenhuma pedra no espaço da reforma”.

A Lojas Americanas atrai frequentadores com carro de som

Durante anos, o Aeroclube também sofreu com o estigma de ser um local inseguro. “Os casos de violência veiculados não ocorriam dentro do shopping, mas na área externa”, argumenta Mirela Gedeon, gerente de marketing da Enashopp, empresa que administra atualmente o Aeroclube.

Os lojistas também não concordam que o Aeroclube seja um local inseguro. “Esse negócio da segurança não é um problema, não. Até shopping fechado sofre problemas de segurança.”, diz Ramon Ribeiro, gerente da Wave Beach.  Desde 2012, o local conta com o reforço de uma unidade da Polícia Militar com a instalação da 39ª Companhia Independente no empreendimento. Além da PM, o Aeroclube conta com a  ajuda de uma empresa de segurança privada .

“Essa história da segurança é, ao mesmo tempo, mito e verdade. O problema é que o Aeroclube é um shopping a céu aberto e isso facilita a entrada de todo tipo de gente. Mas se você for para o Salvador Shopping, Iguatemi ou para o Bela Vista também vai encontrar muitos problemas com a segurança. O Aeroclube tem muitas entradas e muitas saídas, então acaba sendo difícil. Existe também a questão dos costumes, o baiano não está acostumado a se sentir seguro em ambiente a céu aberto”, analisa Alfredo Fraga, gerente do UCI Aeroclube.

Comerciantes montam estratégias para driblar a baixa frequência

Mitos ou verdades à parte, a queda na freqüência impulsiona promoções nos estabelecimentos do shopping. Uma loja de calçados, por exemplo, está oferecendo 60% de desconto em uma coleção recém lançada. O UCI Aeroclube, um dos principais atrativos do empreendimento, também faz promoções na bilheteria e na bomboniere. Para clientes assíduos, o cinema chega a oferecer 50% de desconto, além do ingresso ser mais barato que o de outros complexos cinematográficos.

 O novo Aeroclube

O projeto atual pretende transformar o Aeroclube em um shopping fechado. “O conceito de festival shopping não funcionou em nenhum lugar do Brasil. Nesses espaços, a freqüência dos consumidores depende das ações climáticas na cidade. Assim, nos dias de chuva, o movimento era prejudicado”, diz Mirela Gedeon. Segundo ela, o novo shopping terá aproveitamento de luz natural e lojas exclusivas.

A diretora de marketing da Enashopp diz ainda que os escritórios empresariais continuarão a existir no empreendimento. “Existe uma carência de espaços para escritórios principalmente na região em que está localizado o shopping. Foi uma decisão tomada após um estudo mercadológico”.

O projeto da Enashopp não descarta aproveitar os benefícios de um shopping localizado na orla de Salvador. Segundo Gedeon, serão incluídos dois vãos com vista para o mar e  há o projeto de construção do Parque do Vento, área de lazer que se localizaria na orla, ao lado do empreendimento.

Projeto prevê que o shopping não seja mais a céu aberto

Para alguns moradores da Boca do Rio, o novo shopping seria muito bem-vindo. “Acho que o Aeroclube com espaço fechado funcionaria melhor. O soteropolitano está mais acostumado com esse tipo de shopping do que com as lojas a céu aberto”, disse Priscila Lobo, 25, auxiliar administrativa. A enfermeira Denise Magalhães, 63, destaca os benefícios de um empreendimento com essas características:

Entrevista Denise Magalhães (clique aqui e ouça o podcast)

Outros freqüentadores, no entanto, não são muito entusiastas da ideia. Para a funcionária pública Rita Sá, 45, os responsáveis pelo empreendimento terão muitos desafios:

Entrevista Rita Sá (clique aqui e ouça o podcast)

No entanto, transformar o Aeroclube em um espaço fechado minimizará uma das principais dores de cabeça da administração e dos lojistas desde o início do empreendimento: os gastos com a manutenção de equipamentos. Por ser um shopping a beira mar, o Aeroclube sempre teve problemas com o desgaste precoce de suas instalações em função do salitre, o cinema é um dos maiores prejudicados. “Enfrentamos problemas constantes com a manutenção preventiva e corretiva de equipamentos. Um computador comum, por exemplo, que em um cinema de um shopping fechado, distante do litoral, teria mais tempo de ‘vida’, aqui sempre precisa de reparos técnicos”, diz o gerente do cinema.

O cinema ainda é um dos principais atrativos do Aeroclube

Seja qual for o final desse desconforto na orla de Salvador, hoje responsável por melancolia e nostalgia naqueles que o visitam, há o consenso entre frequentadores e lojistas de que o Aeroclube merece e deve ser reerguido. “As pessoas estavam com a expectativa por um shopping com cara de shopping. Salvador merece”, diz Edison Rezende, diretor da Enashopp, sobre o novo projeto. Assim, todos esperam águas mais calmas de agora em diante.

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Publicado às 23 de novembro de 2012 por em Uncategorized e marcado .
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